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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Algo mais que poder

              
Soraia David M. Rosa da Silva
  Foto/Fábio Conterno

                 As eleições se aproximam e vejo a expectativa aflorar no rosto das pessoas, de diferentes formas. Há aqueles que mostram uma certa luminosidade quando falam em futuro, em progresso, em confiança nos que irão eleger, e isso me dá alegria. A estes, a esperança em dias melhores se apresenta na forma do voto, na oportunidade de participar da consolidação democrática de seu espaço político-geográfico.

                Outros espelham a frieza dos cálculos e dos acordos em suas faces, como se o pleito eleitoral fosse apenas um esquema para se manter no jogo político sustentado pelo erário e poder público. Meu desdém e desprezo por tais pessoas. Minha piedade também, já que sou provida desse sentimento. Friedrich Nietzsche, em ”A Vontade de Poder”, trata deste tema da seguinte maneira: “... A grandeza de caráter não consiste em não experimentar emoções; pelo contrário, estas são de se ter no mais alto grau; a questão é controlá-las e, ainda assim, havendo prazer em modelá-las, em função de algo mais”. Eis o ponto. O homem que se deixa corromper no exercício de suas funções públicas, na verdade não tem competência nem condições de controlar as emoções que advém de tal ocupação.

               É um inepto, incapaz, e deveria envergonhar-se de sua condição humana no aspecto da estupidez. Há os que riem e se vangloriam de passar a perna nos milhões de pobres brasileiros que se iludem dia após dia com seu salário minguado, com o bolsa aqui e acolá que fermenta sua existência e os faz parecer mais miseráveis do que realmente são. Deboche equivocado. A miséria da alma e da mente se aloja verdadeiramente no homem público que não consegue direcionar suas emoções para a realização do “algo mais” citado por Nietzsche. São tão poderosos, mas tão poderosos, que só têm o poder. Nada mais.

                O que irá acontecer no dia 7 de outubro ainda é uma incógnita. O que passará pela cabeça do eleitor que anda desempregado, descrente do futuro que lhe bate à porta? Por quais caminhos segue a mente do pequeno empresário, do agricultor e da professora que têm acompanhado a política pública de seu setor? E o jovem... O que deve pensar o jovem sobre o momento político que vivemos? As urnas responderão a estes questionamentos em breve. Traduzirão em números os anseios e exigências de uma sociedade que faz esperar, acreditar, insistir para crer novamente.

                Que novos tempos venham. Que a expressão facial daqueles que esperam viver um município mais humano, digno, seguro e transparente, seja radiante. Nós, eleitores, estamos prontos para mais uma escolha democrática em que pesem nossa confiança e futuro nas mãos e coração de quem terá a oportunidade de controlar suas emoções e moldá-las, como sugeriu um dia Nietzsche, em nome de algo mais que poder.

Soraia David M. Rosa da Silva

terça-feira, 5 de junho de 2012

Lixo, futuro e educação - Salve o 5 de junho!

       

Imagem - Reprodução


        Somos mesmo uma civilização imediatista. Inclusive na hora de comemorar datas como a de hoje, 5 de junho, dia mundial do meio ambiente. É só digitar estas cinco palavrinhas no Google que centenas de links ficarão disponíveis com assuntos relacionados ao tema. Claro, porque hoje é 5 de junho. Aí vem toda aquela falação – discurso mesmo – sobre preservação das matas, limpeza e manutenção das nascentes, uso correto (se é que existe) de agrotóxicos, separação e coleta ecologicamente corretas do lixo, enfim... Tudo o que se pode imaginar sobre como manter, ou na melhor das hipóteses, tentar manter o planeta menos poluído, evitando assim, uma provável extinção de qualquer espécie de vida futura.

        Esse casuísmo é que me irrita. Não tínhamos que ter esse cuidado ou preocupação porque corremos riscos ou pelo motivo óbvio de que atitudes desenfreadas ocasionadas pela ambição desmedida ou educação relapsa desencadeiam reações catastróficas na natureza e sim porque É O CERTO. Mas esperar que as pessoas tenham a exata consciência de como agir com o destino do próprio lixo que produzem ou com os recursos naturais que possibilitam sua existência, é pedir demais. Uma civilização que não dá conta sequer de manter o respeito e o pacifismo entre seus pares, vai lá respeitar ou cuidar do que não compreende? É pedir demais, sim.

       Assistimos, diariamente, gente tratando bicho como se fosse pano velho, objeto inanimado, sei lá! Até gente tratando gente como pano velho!! Ah, vou esperar que se preocupem com o lixo da casa! Com o córrego que passa logo ali, pertinho de onde moram ou com a sujeira do próprio quintal?! Imaginem, então, os valorosos universitários e afins que deixam a frente e as vias de acesso das faculdades em estado de calamidade pública, com a quantidade de papéis, latas, garrafas e outros objetos jogados após ficarem bebendo e ouvindo som alto durante a noite, notadamente nos finais de semana. É lixo que não acaba mais, num ciclo contínuo – lixo produzindo lixo.

        Então é assim – continuamos imediatistas até sabe lá Deus quando. Vamos ver se hoje algum político(a) vai defender a bandeira da ecologia (afinal, outubro tá aí) ou se algum(a) defensor(a) da educação contínua em prol de hábitos conscientes, cultivados dentro de casa que vão do respeito aos animais, pais, professores, pessoas mais velhas e aí, consequentemente, ao meio ambiente, aparece para salvar esse país da letargia em que se encontra, que repito, não prejudica apenas o futuro dos recursos naturais do planeta, mas também o que costumamos chamar de ser humano.